Interlúdio

Desculpem passar tanto tempo sem escrever.

Mas, de vez em quando, viver histórias rouba muito o tempo de contá-las.

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Pé-rapado

Item 0728: um convite de Tom Hanks

Linha do tempo: 9 de setembro de 2004, às 11h30 da manhã (horário de Los Angeles)

No último ano, degustei tintos e brancos em vinhedos de Mendoza, na Argentina. Também costeei o litoral brasileiro em um navio de luxo, dormindo em uma linda cabine com varanda. Viajei de avião particular mais de uma vez, provei pratos da alta gastronomia, fui convidado para eventos exclusivos e conversei com astros e estrelas. E, quando não fazia isso, voltava à realidade, preocupado em pagar as contas no fim do mês.

A profissão de jornalista é ardilosa, principalmente para um como eu, que sempre fugiu do “hard news”, referente a notícias do cotidiano – em geral, uma realidade mais bruta. No “soft news” (existe isso?), a gente se acostuma a conviver de perto com a fama, o poder e a riqueza. É chamado para festas badaladas, circula pelos bastidores de produções aguardadas, recebe credenciais para grandes festivais, participa de viagens glamorosas, freqüenta bares e restaurantes da moda. E ainda assiste aos filmes antes da estréia, lê os livros antes da tarde de autógrafos e ouve os discos antes do lançamento.

O Expresso Polar: a convite de Tom

Esquecido no meio das minhas coisas, encontrei um convite para uma sessão de “O Expresso Polar” (“The Polar Express”, 2004, de Robert Zemeckis), com a presença do diretor e do astro Tom Hanks, em um grande estúdio da Califórnia. Fui cobrir pelo Jornal da Tarde. Não importa que foram umas dez horas até Dallas e outras três até Los Angeles, em classe econômica. Nem que havia tantos repórteres do mundo todo tentando falar com o astro que não consegui fazer uma perguntinha sequer. Minha lembrança ainda é a de ter me hospedado em um hotel chiquérrimo, que nunca poderia pagar se estivesse lá por minha conta. Sim, a gente se impressiona fácil…

Andamos na alta roda, mesmo sendo um bando de pé-rapados. Classe mal-remunerada e desorganizada, saltamos entre dois mundos paralelos, um colorido e outro preto-e-branco. Outro dia, revi o clássico “A Doce Vida” (“La Dolce Vita”, 1960, de Federico Fellini) pela terceira vez. Só agora me dei conta de que o filme é exatamente sobre isso. O jornalista encarnado por Marcello Mastroianni vive cercado de ricos e celebridades, iludindo-se como um bon vivant. Mas sua rotina é mais azeda, com a mulher perturbada, a família destruída e as amizades interesseiras.

O jornalista, como os arautos e menestréis do passado, são plebeus que circulam livremente pela corte. E ficam o tempo todo lembrando a si mesmos que não têm sangue nobre. Não é uma tarefa ingrata. Chega até ser estimulante. Triste é aquele que só vê o mundo do seu ponto de vista. O jornalista tem a oportunidade de, freqüentemente, pegar emprestado diferentes perspectivas.

Por trás do deslumbramento, acho que a maioria dos pé-rapados da imprensa acaba se interessando mais pelo aspecto humano do que pelo material. Ou seja, a ideia é deixar o brilho ou a poeira de lado e ver o que há por trás da camada superficial, seja a de uma perua da alta sociedade ou de um sem-teto da Cracolândia. Eu nunca soube explicar direito direito o que me levou a ser jornalista. Mas talvez seja pela curiosidade de saber se todos enxergam o mundo da mesma forma que eu.

Destino: acho que Tom Hanks não vai se chatear se eu jogar o meu convite fora, vai?

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A utopia tecnológica

Item de bolso: um bilhete único*

Linha do tempo: enquanto tiver saldo

* para quem não é paulistano, trata-se do cartão eletrônico usado no transporte público da cidade

Enquanto escrevo, meu primo Dadu está tentando improvisar um escudo de papel alumínio atrás da antena do roteador do wireless. Ele quer melhorar a conexão da internet com este rústico artefato. Mais ou menos como eu fazia, em 1990, para captar a MTV no UHF – para tirar o chiado –, colocando uma palha de aço sobre a antena. Ao associar estes dois momentos, separados por 22 anos, pergunto: qual a distância do nível tecnológico que pensamos ter atingido e onde realmente estamos?

A culpa deve ser do cinema. Eu não me lembro de ter visto nenhuma gambiarra como essa nos filmes de ficção científica que tentavam deslumbrar como nosso cotidiano seria no futuro. Crescemos acreditando em carros voadores, casas administradas por robôs, viagens intergalácticas, vídeos holográficos e… skates flutuantes. A realidade nos frustrou um pouco. Tivemos de nos conformar com este futuro, genérico do nosso ideal. Se o iPad é igual aos cadernos digitais mostrados em ‘2001 – Uma Odisséia n Espaço’, vamos fingir que nos equiparamos ao sonho do passado.

É claro que evoluímos muito tecnologicamente – cada vez mais rápido, dizem. E não sou contra aparatos modernos. Só acho que os adultos de hoje vivem uma ilusão, baseada na ideia do amanhã que construiram na infância. Assim, usamos um monte de tranqueira que não funciona como deveria, mas que se encaixa neste cenário utópico. Somos pedantes demais para aceitar não termos chegado lá ainda e continamos colocando Bombril em um arame.

Bilhete único: barato sai caro

O bilhete único paulistano é isso. Parece um prático cartão para diferentes meios de transporte público, com desconto na baldeação (a passagem é abusivamente cara, mas faz de conta que não). Pena o sistema falhar com freqüência. Esta semana, tentei carregá-lo nos caixas e em terminais de auto-atendimento, em estações diferentes, e me dei mal. Voltei para o velho bilhete de papel e senti saudade do Metrocard de Nova York. Quando vivi lá, comprava o mensal e entrava e saía do metrô e do ônibus quantas vezes quisesse pelo mesmo preço. Já faz quase duas décadas que aquela maravilha de plástico fino e maleável foi criada e ainda é melhor que a nossa versão.

No condomínio da minha mãe, instalaram na portaria um leitor ótico. Basta você cadastrar seu dedo e, quando for lá, suas impressões digitais abrirão o portão. Mas aquela droga nunca funciona. Agora preciso ficar lá uma eternidade, apontando meu indicador para a máquina, inutilmente, até um segurança aparecer para ver qual o problema. Toda vez este ritual. Por que o ser humano, simplesmente, não admite que ainda não é esperto o bastante para usar uma geringonça dessas?

Esse nosso esnobismo só nos causa mais dor de cabeça. Um amigo da minha namorada mudou-se para um prédio todo computadorizado. Do tipo que você grita “luzes” e elas acendem. Na porta dos apartamentos, nada de maçaneta. Você encosta a mão e o sensor lê. Pensei que isso levaria ladrões a começarem a decepar as pessoas. Mas nem foi necessário. Vários moradores começaram a ser assaltados, pois tudo que os criminosos precisavam era uma folha de papel com a palma do dono da casa. Voltaram para as chaves tradicionais.

Lembro quando eu tinha dez anos e a lembrança de chegar ao ano 2001 era inacreditavelmente inspiradora. Pois o milênio virou e hoje pego ônibus ao lado de um idiota que ouve música ruim no volume máximo no celular – como faria, há trinta anos, com um radinho de pilha. Malditos engenheiros que não desenvolvem algo realmente importante. Eu só quero saber onde está o teletransporte que me prometeram?

***

Faltam apenas…

… 3 anos para…

carros voadores, cadarços automáticos, jaqueta auto-secante, skate flutuador, descompactador de comida e “Tubarão 19” em 3D holográfico (“De Volta para o Futuro 2”, 1989, de Robert Zemeckis).

… 5 anos para…

… as pessoas ficarem ligadas em um reality show brutal no qual presidiários lutam por suas vidas. E isso um ano depois da Olimpíada do Rio (“O Sobrevivente”, 1987, de Paul Michael Glaser).

… 7 anos para…

animais em extinção clonados, humanos replicados com órgãos pré-fabricados, implantes de memórias e colônias espaciais (“Blade Runner – O Caçador de Andróides”, 1982, de Ridley Scott).

… 9 anos para…

… cérebro sendo usado como pen drive, internet ligada na própria cabeça das pessoas, alergias a ondas cerebrais (“Johnny Mnemonic”, 1995, de Robert Longo).

… 20 anos para…

airbag de espuma de barba, multas por falar palavrão, sexo sem contato e três misteriosas conchas no lugar do papel higiênico (“O Demolidor”, 1993, de Marco Brambilla).

… 23 anos para…

… popularização de robôs inteligentes como servos, projetores portáteis de hologramas, comando de voz para tudo, carros com capacidade de rotação guiados por computador (“Eu, Robô”, 2004, de Alex Proyas).

… 42 anos para…

rodovias verticais, cabines de realidade virtual, drogas cibernéticas, aranhas cibernéticas, computador holográfico controlado por movimentos das mãos e banco de dados de gostos de clientes acionados por identificação ocular (“Minority Report”, 2002, de Steven Spielberg)

Destino: onde os absurdos R$ 3 por passagem me levarem.

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Nos episódios anteriores…

Em 2011, não escrevi tanto quanto em 2010, quando lancei, despretensiosamente, este blog. Foram 20 posts apenas (contra 52 do ano de estréia). Minha freqüência menor levou a uma baixa também na média diária de visitantes, de 40 para 35. Estava atarefado demais para falar do passado. E isso acabou gerando muitos textos voltados mais ao presente.

Itens de caráter provisório ou imediatista acabaram entrando no inventário. Como ingressos para show daquela mesma noite, um celular semi-novo, as muletas que emprestei por uns dias, um barbeador que eu acabara de estragar, as roupas do armário e livros que empilhei na cabeceira. Falei até do futuro, quando calculei o tempo que tinha pela frente.

Como não poderia ser diferente, itens que “herdei” do meu pai após seu falecimento também ganharam espaço. Nem me refiro aos cães, que doamos ao longo do ano. A campanha até rendeu o recorde de visitas do blog (1030, em 16 de setembro de 2011), quando o site Petiscos, de Julia Petit, divulgou a cachorrada. Mas falo de fitas K-7, um certificado de competição de atletismo e uma rara e rústica versão em quadrinhos de ‘2001 – Um Odisséia no Espaço‘.

Espero que 2012 seja o ano de uma faxina maior. Assim, vão-se as tralhas, ficam as histórias.

CURIOSIDADE: sabe qual o termo de busca no Google que mais atrai leitores para o Inventário de Coisas Inúteis? “Bola de meia”. Tema do meu primeiro post, em janeiro de 2010, este improvisado brinquedo do passado continua atiçando a curiosidade das pessoas, mesmo em tempos de Facebook e iPad. Não sei se isso significa mais crianças batendo uma pelada na rua, como eu ainda pude fazer na infância. Mas foi um detalhe bobo que me deixou, gratuitamente, mais feliz neste início de ano.

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Consumidor descartável

Item semi-novo: aparelho celular Nokia 2720 – GSM

Linha do tempo: assim que conseguir desbloqueá-lo

Segurem-se onde puderem, amigos. Esta semana, as placas tectônicas ficarão especialmente irritadiças, as calotas polares derreterão de uma vez, o dia virará noite, a temperatura média subirá dez graus no hemisfério norte e cairá outros dez graus no sul até que o eixo da Terra seja totalmente invertido. Tudo porque, contrariando todas as previsões, dos maias à Susan Miller, eu, finalmente, troquei de celular.

Uma nova era... para mim, claro

Se acompanha este blog, deve se lembrar do meu pré-histórico aparelho, provavelmente, criado pelo próprio Alexander Graham Bell. Apesar de ser ridicularizado e repulsivamente desprezado por meus amigos durante anos, ele nunca me faltou. Ainda funciona muito bem, apesar do histórico impressionante de quedas. Mesmo assim, recebeu aposentadoria compulsória. Minha mãe comprou um novo e fez questão de me dar o velho, pois até ela já está anos-luz adiante de mim tecnologicamente.

Liguei para a empresa de telefonia, a mesma que passou os últimos anos me implorando para mudar de plano, e acho que ouvi os funcionários estourando espumantes para celebrar um momento tão histórico. Era como se o Muro de Berlim caísse de novo. Até que enfim, eu aceitava alguma mudança nos serviços prestados. Estaria evoluindo como consumidor e abrindo as portas, quem sabe, para a entrada de novos produtos?

Fiquei pensando o quão à parte sou mantido da sociedade por não ser uma pessoa que consome com a freqüência que o mercado exige. Meu relacionamento com a operadora de TV a cabo ilustra bem isso. A minha televisão ainda é daquelas que têm bunda e não pretendo trocá-la tão cedo. Mesmo assim, eles correm atrás de mim, para me convencer a fazer parte de uma seita de fanáticos por TV, internet e telefone. Após muito penarem, os caras me obrigaram a trocar para um codificador digital sob ameaças de cortar meu sinal. Agora reclamo em dobro, pois, com minha televisão antiquada, a imagem fica tão insípida quanto antes e, de vez em quando, a transmissão sofre soluços.

Na verdade, eu considero tanto o serviço da minha operadora quanto o da concorrência igualmente medíocres. Afinal, o conteúdo da maioria dos canais é ruim e eles ainda nos enchem de intervalos abusivos, programação repetitiva, dublagem dispensável e uma série de defeitos que expõe a indiferença deles com o espectador. E, por mais que façam propaganda comparando a adesão a um plano mais caro à compreensão do Nirvana, sigo por anos preso ao item mais barato do cardápio.

Sou o sujeito sem automóvel e sem iPhone. Aquele que se diverte tentando confundir o Facebook bloqueando TODOS os anúncios e classifiando-os como “desinteressante”. O maldito herége que ousa passar por um free-shop de aeroporto sem comprar uma barrinha de Troblerone sequer. Como ainda me deixam circular livremente entre os cidadãos de verdade?

Neste fim de ano, o governo abriu mão dos impostos de certos produtos para forçar uma baixa de preços e movimentar a economia. Desculpe, mas não farei minha parte. Simplesmente, porque, no momento, estou satisfeito com as tralhas que possuo e tenho outras prioridades. Lembro quando a gente comprava um equipamento e ele durava décadas. Sou do tempo em que jogar eletrônico em perfeito estado no lixo só porque apareceu um modelo mais novo no mercado era algo só visto em reportagens sobre o consumismo no Japão. Desde que os computadores invadiram de vez o dia-a-dia de todos a palavra de ordem é atualizar. E quem não segue essa linha de raciocínio, torna-se um consumidor descartável.

Vejo vocês no lixo, então.

Destino: cavalo dado não se olha os dentes. Vamos colocá-lo em uso

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Rock sem firula

Item a vencer: ingressos para o Pearl Jam

Linha do tempo: hoje

Daqui a pouco, verei o Pearl Jam na segunda noite desta turnê brasileira. Quem me conhece, sabe que não sou de ir a shows. Principalmente, em São Paulo. Abusivamente caros, são realizados em locais péssimos e os frequentes problemas de som demonstram como os organizadores estão se lixando para o público (nem vou falar do quão equivocado é o conceito VIP no Brasil). Além disso, é comum as bandas me decepcionarem ao vivo. E preciso redobrar a paciência com a platéia, que gosta de empurra-empurra e passa tempo demais fazendo vídeos ruins em vez de curtir o espetáculo.

Então, por que diabos comprei ingressos para hoje?!

Ingressos para daqui a pouco

Porque, nos 20 anos que acompanho (de longe) a banda de Eddie Vedder, ela raramente frustrou minhas expectativas. O som deles nunca foi revolucionário nem evoluiu tanto assim. Mesmo nas faixas mais lentas, ainda é rock de garagem tocado com vigor juvenil (apesar dos integrantes serem quarentões). E é isso que faz a banda autêntica. Se eu tivesse nascido nos anos 50, talvez me orgulhasse de ter todos os álbuns do Rolling Stones. Mas foi com o Pearl Jam que passei a adolescência, então é deles que tenho os nove CDs de estúdio (mesmo na era do mp3), além de dois ao vivo e a participação em uma coletânea.

A partir de baixo, da direita para a esquerda, discografia: 'Ten', Vs', 'Vitalogy', 'No Code', Yield', 'Binaural', Riot Act', Pearl Jam', 'Backspacer', a coletânea 'Sem Fronteiras', o ao vivo 'Live on Two Legs' e o show do Pacaembu

Eu tinha 15 anos, já usava camisas de flanela e começava a fazer a barba quando eles ganharam o mundo em 1990. Era revoltadinho e esperava alguém acender meu pavio para explodir com tudo. A identificação não foi à toa. O Nirvana e outras bandas da época acabaram cedo ou ficaram para trás. O PJ seguiu e, apesar de amadurecer, continuei procurando-os como um porto seguro. Com o tempo, sua função para mim mudou. Já serviu de motivador, como companheiro de viagens e para reafirmar amores. Atualmente, aciona minha nostalgia quando preciso dela.

Em 2005, depois de muita espera, pude enfim vê-los no palco. Por causa da reclamação da vizinhança, foi o último show realizado no estádio do Pacaembu (se descontar a visita do Papa, dois anos depois, que foi um tipo de show, mas a associação do bairro não chiou). No meio da polêmica com Prefeitura e moradores, o grupo topou tocar mais cedo, ainda com luz do Sol. Nenhuma pirotecnia ou iluminação especial. Apenas cinco caras fazendo barulho do bom. Bastou. Fui à segunda apresentação, em 3 de dezembro, e considero a minha melhor experiência com banda ao vivo (tenho a gravação do show, baixada no site da própria banda por uma mixaria, uma esperta visão de marketing).

Por isso, a expectativa para a noite de hoje é alta. Mas sem tietagem. Nunca usei camiseta com a capa de ‘Ten’ ou pendurei cartaz do quinteto na parede. Nem mesmo sou fã de todas as músicas incondicionalmente e acho o Vedder meio mala às vezes. Para filósofos modernos como o francês René Descartes (1596-1650) e o inglês Francis Bacon (1561-1626), idolatrar alguém ou algo nos impede de enxergar a verdade. Ou seja, ídolos são uma ilusão escapista. Mesmo sem entender nada de Filosofia, tento fugir do culto acrítico. Em outras palavras, sou chato e curto apontar defeitos até em quem admiro.

Poucos e bons

Fui a muito show meia-boca, de gente que esperava muito. Mas alguns valeram muito a pena (embora não tenham valido o preço da entrada, que sempre acharei um roubo).

Ingressos: custo-benefício discutível

Olhar distante

Como o Pearl Jam, também tenho todos os CDs de estúdio do Radiohead. E estava aguardando bastante para vê-los ao vivo. Em 2009, a turnê de In Rainbow foi bem além do que esperava. Nem precisei chegar muito perto. Era um espetáculo para ser visto de mais longe mesmo. Melhor foi ir de van fretada com amigos (farei o mesmo hoje à noite) e não ter que me preocupar com estacionamento, roubos e trânsito.

Às escuras

Eu não fazia ideia do que era Yo la Tengo quando acompanhei colegas da Veja São Paulo à apresentação no Sesc Pompéia, em 2001. Para minha surpresa, fiquei bastante empolgado com o trio, mesmo sem conhecer nenhuma música. E olha que foi no teatro, uma arena estranha que considero péssima para shows (que me perdoe Lina Bo Bardi). Como os músicos ficavam de lado para a platéia, eles procuravam se movimentar bastante e isso foi bastante positivo para os improvisos nos agitados solos de guitarra.

Foco no segundo plano

Em outubro de 2005, fui ao Tim Festival para ver Strokes e Kings of Leon. Além do som baixo, achei as performances das duas bandas sofríveis, com os caras de Nashville sem carisma e Julian Casablancas gripado, cantando no sacrifício. Mas a noite foi paga mesmo por uma atração que eu desconhecia, os canadenses do Arcade Fire. Fiquei surpreso com o som daquela trupe estranha que trocava de instrumento no meio da canção. Fui correndo procurar o álbum ‘Funeral’.

O guarda-costas

O Claro que é Rock, em novembro de 2005, alternava apresentações em dois palcos de frente um para o outro. Para mim, facilitou muito a circulação e deu para curtir atrações como Sonic Youth e Flaming Lips sem ser esmagado. Mas claro que sempre tem os mais eufóricos que passam por cima de todos para ir à beira do palco receber as primeira gotas de suor da testa do ídolo. No vibrante reencontro de Iggy Pop com os Stooges, me senti vingado. Parei onde podia ver os músicos com conforto. A molecada, porém, insistia em trombar comigo para chegar lá na frente. Até que ouvi o sujeito ao meu lado reclamando disso. Imagine o Arnold Schwarzenegger na época do primeiro ‘O Exterminador do Futuro’ (‘The Terminator’, 1984, de James Cameron). Era igual. Pois quando o próximo infeliz passou me empurrando, joguei-o com o ombro para cima do grandalhão. Este o segurou pelo pescoço, deu uma baita bronca e o mandou voltar para os fundos. Enquanto todos olhavam para o garoto saindo com o rabo entre as pernas, eu sorria maquiavelicamente, satisfeito comigo mesmo.

Sozinho na multidão

Odeio lugar com muita gente. É quase uma fobia. Mas um única vez fiquei bem estando cercado de milhares de pessoas. Para ser exato, 1,5 milhão, segundo a imprensa da época. Em fevereiro de 2006, passei um ótimo fim de semana no Rio de Janeiro e ainda vi Mick Jagger, Keith Richards e companhia de graça na praia de Copacabana. Nenhuma confusão, nenhum estresse, nenhum empurrão, um monte de gringo misturado com brasileiro, clima ótimo. Só me dei mal ao largar meu grupo para usar um banheiro químico no calçadão. Na volta, não encontrei ninguém. Ouvi as primeiras músicas sozinho até que eles me acharam.

***

Campo de jogo

Hoje será a segunda vez que entrarei no campo do Morumbi. Isso é digno de nota, pois sou sãopaulino. E, por mais que o time vá mal das pernas e eu esteja saturado da politicagem no futebol, mexe comigo ver o estádio por outro ângulo. A primeira vez foi em 1997, no último ano de faculdade. Às vésperas das finais do Campeonato Paulista, meu grupo foi incumbido de cobrir os treinos de São Paulo e Corinthians para a rádio da faculdade. E os dois times resolveram dificultar nossa vida treinando fora de seus centros de treinamento. A equipe do Parque São Jorge foi para Cotia e uma colega e eu precisamos invadir o hotel fazenda onde estavam para correr atrás dos jogadores no saguão. Já o Tricolor optou por bater bola no próprio local de jogo. Com um amigo, fui ao Morumbi apostando nas credenciais de imprensa para passar pela segurança. Na verdade, era uma ridícula carteirinha do nosso curso, na qual o diretor implorava para as pessoas serem compreensivas com os alunos de Jornalismo. Exibindo-a rapidamente, passamos por todos até entrar no campo. Pelo menos, em volta dele. A gente queria mesmo era pisar no gramado, mas os fotógrafos e jornalistas ficavam só ao redor. Foi a presença de umas fãs adolescentes do atacante Dodô que nos deu a ideia. Elas carregavam uma daquelas cartas gigantes para entregar ao ídolo e sugerimos que a desenrolassem sobre a grama para tirarmos foto. Assim, pisei no círculo central.

Destino: já era. Fui!

ATUALIZAÇÃO EM 05/11/2011: das 29 canções do show de ontem, só 9 coincidiram com as que ouvi no show de 2005. Vale a pena seguir uma banda com um repertório tão grande.

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Galeria não-turística

Itens 0692 a 0699: tripé e bolsa (com badulaques fotográficos)

Linha do tempo: como um clique

Comecei a namorar uma fotógrafa. Inesperadamente, ela me despertou para uma antiga paixão. Na era analógica, eu adorava tirar fotos. Fazia cursos, lia revistas especializadas, investia em equipamento e até revelava meus negativos de vez em quando. Não que tenha parado de clicar no atual reinado digital. Pelo contrário, tenho um arquivo de imagens dez vezes maior agora. Mas me tornei apenas um turista, um de nível japonês de quantidade.

Equipamento (injustamente) encostado

Agora encontrei minha antiga bolsa de “retrateiro”. Por um bom tempo, ela abrigou uma Pentax K-1000. Desde 2003, porém, quando voltei da Europa, a câmera foi esquecida e decidi dá-la a um amigo menos desleixado. Ficaram um flash vagabundo, um filtro Hoya Skylight 1B 49mm, um fotômetro Sekonic Studio Deluxe II, uma lente objetiva Sigma 70-210 4-5,6 UC-II e outras tranqueiras. Achei também o tripé Fotomate, que cheguei a carregar para Nova York quando morei lá, em 1999.

Revirando minhas fotos, bateu um forte comichão de retomar de onde parei. Agora, investindo em um equipamento mais moderno, claro. E como este deveria ser um post meramente contemplativo, reúno aqui, em uma exposição virtual, um pouco do meu “trabalho”. Não de fotógrafo profissional, mas, pelo menos, de fotógrafo não-turista.

COR

Céu e Inferno

FORMAS E TEXTURAS

Garrafas

Gráfico

Grrrr

Guardião

Rolling Stones

Vão

X

EM MOVIMENTO

Jump

Pedala

MACRO

Sábio

Smile

TRABALHADORES

Limpeza

Sem cabeça

Tanque cheio

Trânsito

RETRATOS

Baixo

Gaita

Guitarra

***

Para terminar, reproduzo uma ótima charge do cartunista americano Gary Varvel, do Indianapolis Star. Ele tem fama de conservador, mas aqui sintetiza bem os tempos modernos. Hoje, todo mundo é fotógrafo porque tem um celular, todo mundo é DJ porque tem um pen drive com mp3, todo mundo é escritor porque tem blog (tiro no próprio pé, eu sei). E, ao mesmo tempo, ninguém é.

"Com licença... Sou fotógrafo" "Ei! Nós também!"

Destino: se funcionam bem, vamos usar

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Não entre em pânico

Itens somados: R$ 33,27 (em moedas de 18 países)

Linha do tempo: desvalorizando a cada segundo

Como eu disse no último post, a velha lata do relógio Cosmos virou um cofrinho. Dentro dele, guardo 79 moedas, que, pela última cotação, representam R$ 33,27. Claro que não as guardo pelo valor material. Também não são uma coleção. É algo que nem sei direito como começou. Mas toda vez que eu volto de uma viagem ao exterior, trago algumas moedas dos países visitados no bolso. E, sem saber o que fazer com elas, jogo na lata.

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São apenas centavos. Euro de quatro países, dólar, libra, franco suíço, dirham do Marrocos, florim da Hungria, coroa da República Tcheca, guarani do Paraguai, sol novo do Peru, bolivianos da Bolívia e pesos da Argentina, do Chile e do Uruguai. Até 10 francos da França pré-euro e 10 cruzeiros do Brasil pré-real, que eu não faço a menor ideia de quanto valeriam agora. Um retrato dos lugares por onde já passei. Talvez eu não tenha me livrados delas porque, inconscientemente, tenho esperança de voltar e poder gastá-las.

Acho que minha mãe me ensinou direitinho o valor do dinheiro. Eu não sou mão-de-vaca. No entanto, odeio a sensação de ter gastado com algo que não valia o preço cobrado. Faço um grande esforço para ter sempre uma graninha guardada. Infelizmente, não aprendi a fazer dinheiro. Para começar, fiz voto de pobreza quando escolhi ser jornalista. E atravessar períodos de vacas magras sempre custa o meu humor. Posso ficar um tempão sem amor, enfrentar algum problema de saúde ou precisar me afastar uma temporada dos amigos e parentes sem me abalar. Mas ficar de bolso vazio me deixa com a cara fechada.

Acho que é porque, na minha infância, o Brasil estava sempre em dificuldades financeiras, nossa moeda mudava de nome constantemente e os produtos sumiam das prateleiras dos supermercados da noite para o dia. Crescer sem a segurança de que sua família venceria uma fase difícil te impede de ser desencanado com grana. Eu não consigo. Por outro lado, essa rotina de crises nos deixou imunes ao pânico geral.

Desde a crise mundial deflagrada em 2008, o mundo inteiro se abalou. Eu falava com amigos europeus e americanos e eles estavam monotemáticos e deprimidos. E nós, mais do que confiar que nossa economia está mais sólida, simplesmente nos acostumamos a atravessar a lama sem histeria. Já cortamos muitos zeros do nosso dinheiro, convivemos com preços tabelados, tivemos nossas poupanças seqüestradas, escondemos dólar debaixo do colchão. E estamos aí.

***

Coisa de louco

Moedas me lembram também um lado sombrio que escondo dentro de mim. Não sei se todo mundo tem um Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), mas eu conheço bem o meu. Quando seguro moedas, preciso empilhá-las. Até aí, nada demais. O doentio é tentar fazer isso, simultaneamente, por ordem de tamanho e por ordem de valor. Porque a de 25 centavos é maior do que a de 50, por exemplo. Eu sei que é uma missão impossível e tento mesmo assim para, pateticamente, falhar e rir da minha própria insanidade.

Destino: na poupança, renderia uns 16 centavos por mês. Uau!

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Contagem regressiva

Item 0354: uma embalagem (vazia) de Cosmos

Linha do tempo: esquecido no passado

No que diz respeito à pontualidade, sou o brasileiro mais suíço que existe. Eu odeio chegar tarde a um compromisso e deixar alguém esperando me estressa. Mas moro em um país no qual as pessoas vêem as horas com o mínimo de precisão. Só aqui um encontro é marcado em largos intervalos (“entre 12h e 12h30”). E, na prática, essa faixa fica ainda maior (“só atrasei meia horinha”). Resultado: quase sempre, represento o cara que espera.

Em Salamanca, na Espanha, os jovens costumam se encontrar antes da balada debajo del reloj. Ou seja, sob a torre do relógio da Plaza Mayor. Quando morei lá, eu chegava dez minutos antes. Na hora, apareciam os alemães, seguidos dos japoneses. Um pouco depois, escandinavos e britânicos. Americanos e canadenses surgiam dez minutos atrasados. Latinos, da Europa e da América, desculpavam-se pela espera de quinze minutos. E, na maior cara-de-pau, os tupiniquins davam as caras até uma hora após o combinado.

Cosmos: espaço e tempo

Admito que sempre fui obcecado demais com tempo. É interessante ver como me relaciono com meu primo Dadu, que acha que um dia tem 48 horas e vive em outro compasso. Para nós, acertar um simples cineminha requer uma delicada negociação. Ele já calcula que vai perder os comerciais e trailers e eu quero chegar uma hora antes da sessão. Mas melhorei um pouco. Antes, me sentia nu sem relógio. Dos vários que usei, só restou a lata de um Cosmos que ganhei uma vez do meu pai (talvez em referência à série científica Cosmos, com o astrônomo Carl Segan, que assistíamos juntos na minha infância). Agora vejo as horas no celular.

Quando eu era criança, os ponteiros se arrastavam. Eu não precisava me afobar. Na minha cabeça, tinha todo o tempo do mundo. Acordava cedo, jogava capoeira, estudava na escolinha, almoçava, assistia ao fim do Balão Mágico, tirava uma siesta, jogava futebol de botão, lia gibis, comprava balas na padaria, jogava taco na rua até o cair da tarde… e não conseguia pensar em mais nada para fazer. O dia era sempre maior que minha agenda.

Na adolescência, minha ansiedade para entrar na maioridade fazia os dias serem sofrivelmente demorados. Eu perdi muito tempo torcendo para o tempo passar logo. E, de repente, tinha 18 anos e tudo andava depressa demais. Tanta coisa aconteceu nos meus “anos 20” que minha vida parece ter passado inteira em um instante.

Algo curioso aconteceu quando alcancei o 3.0. Pensava que tudo ficaria ainda mais veloz. Mas, ao contrário, desacelerei. Estou menos apressado, como se tivesse me dado conta de que não estava em uma desembestada corrida contra o tempo. Onde eu queria chegar com tanta pressa afinal? Até publicar este post, já atravessei 13.289 dias. Segundo a ONU, o homem brasileiro vive, em media, 69 anos (um pouco menos, na verdade). Imagino que eu vá passar esta marca, mas vamos considerar que seja uma ciência exata. Isso me daria 11.914 dias.

Acho que dá tempo de sobra. Seja lá qual for meu plano.

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PONTEIROS

Uma confissão: não me dou bem com ponteiros. Já tive vários relógios, mas todos digitais. Sou dessas pessoas que não conseguem ler as horas com facilidade ao ver para onde apontam as duas varetinhas. Eu preciso parar e pensar. “hmmm… ponteiro grande no 3… ponteiro pequeno no 9… cinco vezes nove… hmmm”. Pois é, nada prático. Há designs que facilitam ainda menos a minha vida. Às vezes, não dá nem para saber qual o ponteiro maior. Outras, tiram os números! Lembro quando fui a um oculista, na adolescência, e ele fez um teste de visão com reloginhos em vez de letras ou números. Era para eu falar que horas marcavam. Demorava tanto para concluir minhas contas que o doutor quase me receitou lentes garrafais achando que eu não enchergava nada na minha frente.

Destino: virou um cofrinho de moedas velhas (explico no próximo post)

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Prova de obstáculos

Item emprestado: um par de muletas

Linha do tempo: só esta semana

Pé imobilizado... mas nem tanto

Ironias do destino: logo após publicar o post anterior, sobre caminhadas, torci o tornozelo e fui obrigado a imobilizar o pé. Até ontem, estava de muletas ou dando pulinhos em uma perna só. Eu deveria ter sossegado o facho em casa, aproveitando que me dei folga por uma semana (é bom ser meu próprio chefe). Mas não consegui ficar parado. Nos últimos dias, tropecei em desníveis, trombei em postes e caí em buracos em agradáveis passeios pelas caóticas ruas de São Paulo.

Uma hora ou outra, todos nós seremos pessoas com mobilidade reduzida. Seja porque engessamos o pé, estamos carregando malas ou, simplesmente, envelhecemos e não temos mais a agilidade da juventude. Acessibilidade deveria ser uma questão de toda a sociedade e não apenas de deficientes físicos. Tomei consciência disso em 2003, quando voltei ao Brasil após um ano sabático na Europa e tive dificuldade de encontrar emprego em redações (muita gente sendo demitida na época e eu querendo entrar…).

Fui atuar como jornalista, a convite da socióloga Marta Gil, na Rede SACI, um projeto da Universidade de São Paulo que trabalha com divulgação de informações sobre deficiência e acessibilidade. Além de atualizar o portal com notícias sobre o tema, a gente produzia reportagens e entrevistas e participava de encontros e congressos. O mais bacana é que a página investe em inclusão e possui ferramentas para que todos a acessem, mesmo deficientes visuais ou auditivos.

Eu adorava o ambiente de lá, bem jovial. Foi uma oportunidade de experimentar a vida no campus. Já que não passei na Fuvest quando prestei e a Fiam, onde cursei, tinha um prédio com jeitão de colégio, aqueles meses saciaram minha curiosidade acadêmica. Principalmente, no que diz respeito à alimentação, almoçando no bandeijão, no dogão ou na lanchonete do teatro, nas imediações da Praça do Relógio, onde ficava o nosso escritório. Também foi lá que conheci histórias de pessoas que não colocavam sua deficiência como desculpa para abandonar seus sonhos.

Não sou uma pessoa otimista. E até gosto disso, pois não conto com a vitória antes da hora. Sou bastante racional e tenho consciência de tudo que pode dar errado. Sinto até medo de falhar. Agora, nada disso me impede de tentar. Acho que aprendi a não desistir fácil diante de dificuldades. Às vezes, surpreendo-me com a forma como enfrento algumas situações bastante complicadas mantendo o bom humor. E aquela temporada “uspiana” de 2003 tem certo mérito nisso, pois me ensinou a não ver um obstáculo maior do que ele é. Hoje, não é qualquer torção que me derruba.

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Assento preferencial

Na ausência de deficientes físicos, idosos, gestantes e pessoas com criança de colo, aqueles assentos preferenciais em ônibus e metrô podem ser usados por qualquer um. Mesmo assim, fujo deles. Não apenas por respeito, mas para não me estressar. Primeiro, porque, em São Paulo, nenhum transporte público fica tão vazio por muito tempo e logo eu teria de dar lugar a alguém. Segundo, porque tem velhinhas que não assumem a idade e se ofendem quando um jovem oferece o lugar. Inédito foi quando experimentei uma troca de papéis. Antes de operar o estômago, fiz um exame horrível (acho que se chama manometria ou PHmetria), que consistia em enfiar um catéter pelo meu nariz, passando pelo esôfago, para medir como minha digestão agia. Um dia inteiro com aquilo. Fui de metrô e, na volta, com aquela aparelhagem nada discreta, chamei a atenção. Tanto que uma senhorinha se levantou do assento preferencial para que eu sentasse.

__ Calma, minha senhora – respondi – Não estou morrendo. Este é apenas o meu iPod.

Destino: voltam hoje mesmo para as mãos do dono

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