Item em manutenção: um aparador de barba queimado
Linha do tempo: logo após o fim da garantia
Quando nasci, uma bruxa malvada veio até a maternidade São Luís, tocou minha mão e disse: “todo eletrônico que você segurar terá vida curta”. E assim foi. O Genius, o Pegasus, o rádio Orelhinha, o aparelho de som 3 em 1, o Atari, o videocassete, o walkman, o discman, o microcomputador 486, inúmeros relógios de pulso, algumas máquinas fotográficas digitais, o notebook, o mp3, todos sucumbiram rápido. Diz a lenda que o feitiço só será desfeito quando eu ganhar um beijo de uma linda princesa. Só não posso deixá-la perceber que sou um sapo.
A última vítima do meu toque amaldiçoado foi o barbeador, que queimou há uns meses quando coloquei em uma tomada 220 volts. Na verdade, era um aparador de barba, aquilo que os homens usam quando fingem desleixo. Mulher gosta ou não de barba? Já chiaram por eu parecer um dos Los Hermanos e também por ficar com a cara pelada. O aparador me dá o meio-termo. Ele pára o tempo e faz com que os pêlos mantenham sempre a mesma altura, como personagem de novela. Porque digo que não sou vaidoso, mas dou um tapa no topete no espelho do elevador.
Há vezes em que me acho bonitão. Em outras, mal consigo me encarar. Se paro para pensar, nada difere minha cara de um dia para o outro. Puro estado de espírito. Ou seja, o segredo da beleza é manter a auto-estima. Em geral, faço como a louça suja. Eu não ligo de deixar uns pratos para lavar depois. Mas se já não consigo ver a pia, me incomodo. Ou seja, pareço largadão, mas me cuido.
Até já usei creme facial! A primeira vez foi quando cheguei a Nova York. Era fim de inverno e o vento gelado que subia de Lower Manhattan cortava você no meio. Antes de viajar, minha mãe me alertou para eu comprar um hidratante. Mas o Tarzan aqui bateu no peito e grunhiu: “mim, macho”. Até o dia em que três amigas perceberam que meu rosto estava se desfazendo no meio da rua, me puxaram para a Macy’s e me melecaram com cremes do mostruário. A sensação foi tão boa que comprei na hora. A primavera veio e deixei-o de lado.
Há uns cinco anos, minha mãe me presenteou com uma limpeza facial. Não era bem o que eu esperava ganhar, mas fui lá como bom filho. Entrei constrangido e saí leve – avermelhado, mas leve. A mulher ainda me recomendou o creme ideal para minha pele, um protetor solar-hidratante-rejuvenecedor. Passava todo dia. Quando o tubo acabou, eu já devia ter uns 17 anos de novo. Parei com medo de voltar para as fraldas.
A verdade é que, não tenho muita paciência para parecer bonito. Minha imagem comprando shampoo ilustra bem isso. Fico lá, olhando para aquela prateleira enorme tentando imaginar que tipo de cabelo é o meu. Quando começo a criar teorias da conspiração de como a indústria da beleza convence as pessoas de que um produto é diferente do outro só porque a embalagem tem uma cor diferente, me irrito e procuro logo um “cabelos normais”. É esse!
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Seu Chiquinho que disse
Uma ex-namorada insistia que eu ficaria careca quando fosse mais velho. Encucado, apesar da vasta cabeleira, busquei a opinião da única pessoa em quem confio quando o tema é cabelo: meu barbeiro. Um monumento vivo do bairro da Vila Mariana, Francisco Villano, o seu Chiquinho, trabalha com a tesoura há 82 anos. Tinha 10 quando começou a ajudar o tio em um salão. No ano seguinte, já fazia a barba dos clientes. Atravessou a Revolta Paulista de 1924 e a Revolução Constitucionalista de 1932. Abriu sua primeira barbearia em 1935, na rua Humberto I. Depois de quatro décadas, mudou-se para a rua França Pinto, no número 617, onde está até hoje. Sempre ao som de música clássica no rádio, ele recebe fregueses fiéis trajando um avental branco. Calcula ter feito uns 800 mil cortes de cabelo e tem a mão mais firme que a minha. “Você nunca vai ficar careca”, afirmou. É tudo que eu precisava saber.
Destino: cemitério dos eletrônicos



Puxa, mais um texto delícia de ler. Adorei conhecer seu Chiquinho. E no seu próximo aniversário, eu vou comprar o presente na loja de cosméticos! rs Beijos
haha Eu vou agir como criança que ganha roupa de presente
eu sou das que gostam de barba mal feita
“Mal feita” é quando foi aparada sem parecer que foi?
Então feito!
Barba, sempre barba. Pode ser mal feita, aparada, certinha, ou desleixada, mas sempre barba!
Pelo visto, barba vai ganhar fácil
Gosto é gosto e não se discute, apenas se lamenta… hehehe. Particularmente prefiro cara ‘pelada’, sem barba, mas em você ficou muito bem. Quanto à sua futura calvície bem que você fez em acreditar na opinião do Seu Chiquinho, afinal ele sabe o que diz.
Obrigado, Márcia
Se até mulheres que não gostam de barba aprovam a minha, adotarei estilo Falcon hehe
Barba!!!!! Sempre barba!!! Evidente que, não vai deixar igual a do Lula. Ou a do Papai Noel… Mas, uma barbinha roçando na nuca….ahahahhahahahahahaha Sem mais comentários.
Esse “sem comentários” já disse tudo hehe
Pra enquete: um pouquinho de barba. Pouquinho mesmo. E confesso: homem imberbe, que não tem pelo no rosto, não é lá muito bonito…
Anotado. Cara de garotinho, não
Daqui uns dez anos, o Justin Bibier vai conquistar um novo público
Será que seu Chiquinho consegue cortar o cabelo do Fe sem que ele faça um escândalo? Quanto ele cobra??? Estou a procura de um milagreiro!
Seu Chiquinho já cortou o cabelo do Jânio Quadros e outros políticos. Acho que ele dá conta do Fe sim
Não sei quanto cobra para cabelo de criança, mas o corte masculino subiu recentemente para R$ 18, depois de anos a R$ 15. Foi quando percebi a alta de preços do mercado
Concordo com a Dri, barba na nuca para todas!
Nunca mais chego perto de uma lâmina de barbear
Barba é legal.
Desculpe, não sou original…
Barba disparando na frente
então, é isso! uma fada que nos coloca uma maldição (também tenho que beijar uma princesa?). alex, você me poupou um ano de terapia e a desculpa perfeita quando estrago coisas que são dos outros.
Ao menos, é o que li nos contos de fábulas, Julia. Beijo resolve tudo.
Fico contente que o post te economizou dinheiro com análise. Use o blog com moderação, para que ele não tenha o efeito contrário hehe
Muito bom Alex!
Não vou opinar no lance da barba, pque macho que é macho não fala essas coisas pro amigo.
Mas vou seguir o resultado da sua enquete e abandonar o barbeador!
Benvindo ao time, Klotz
Acho que o homem não precisa ser um metrossexual como o David Beckham, mas um tanto de vaidade faz bem.
Ah, a sua maldição é a mesma da minha irmã. Nesse caso, quem sofria eram os meus videogames e eletroeletrônicos.
Somo vaidosos, só fingimos que não