Item 0397: meu celular da Idade da Pedra Lascada
Linha do tempo: início de 2007 D.C., segundo o calendário gregoriano – equivalente a 2 milhões A.iP. (Antes do iPhone) no cada vez mais veloz calendário digital
Dêem uma boa olhada na imagem acima. O que vocês estão vendo é uma ferramenta rudimentar usada pelos antepassados dos seus netos na comunicação. Difícil acreditar, mas este pequeno instrumento prateado não tira fotos nem faz vídeos. Com ele, era impossível saber onde você estava no Google Maps, atualizar seu Twitter a cada dois minutos, tomar decisões de suma importância com um aplicativo do polvo Paul ou ouvir funk carioca no último volume dentro de um ônibus lotado pagando de moderno (quando, na verdade, você só ressuscitou o radinho de pilha). Até mandava mensagens, desde que sem carinhas e coraçãozinhos. E usando teclas reais, pois o visor não era sensível ao toque. Ah, esqueci de mencionar… este é o meu celular atual.
Como diria Clive Owen em ‘Closer’ (2004, de Mike Nichols), “I’m a fucking caveman”. Datado dos longínquos anos 70 (estou falando em século XX), eu me esforcei para acompanhar a evolução tecnológica. Mas uma hora meu disco rígido ficou cheio e não consegui assimilar novas informações. Aceitei o rótulo de “homem das antigas” e fui congelado em carbonite, parando totalmente no tempo. Quando chega uma nova atualização do programa Homo Sapiens, eu clico em “skip this version”.
Comprei este celular após perder o anterior (que só aceitei ter depois de ganhar de uma namorada). Cheguei à loja e pedi o modelo mais simples disponível, algo um pouco melhor que uma lata presa a outra por um cordão. A atendente tirou o aparelho de uma caverna com figuras rupestres nas paredes e ele nunca me decepcionou. Não me imagino com um iPhone. Assim como tenho preguiça de mudar meus DVDs para Blu-ray e vou deixar para a última hora até achar que preciso de uma TV HD (nem me fale em TV em 3D). E pra que diabos serve o iPad?!
Quando jovem, eu exercitava meu despeito aos mais velhos bancando o entendido com as máquinas. Achava graça da minha mãe não saber programar o videocassete para gravar a novela. De vez em quando, ela me ligava no meu trabalho para reclamar que “a televisão estava muda”. Com paciência, eu a orientava a procurar a tecla mute. Hoje em dia, eu me atrapalho com o meu iPod. Sou minha mãe há quinze anos. Parece até que a aparelhagem moderna não aceita o meu dedo calejado no “touch screen”.
Ainda por cima, herdei uma egocêntrica paranóia do meu pai: a de que existe um complô das máquinas contra mim. Na minha mão, elas falham ou quebram sempre nos piores momentos, o que – óbvio! – não pode ser algo acidental. Sou o John Connor dos eletroeletrônicos. Na minha epopéia, encostei um Atari depois de menos de um ano, desisti de ter algum aparelho de som, troquei máquinas fotográficas digitais como se fossem descartáveis e deixei uma trilha de controles remotos arrebentados. E sonho com o dia em que vou atirar um computador pela janela. Depois, claro, de acertá-lo muitas vezes com minha clava.
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Meu polegar direito dói. Acho até que ele está maior que o esquerdo. É de mandar mensagens pelo celular. Além de usar equipamento considerado ultrapassado, sou antiquado também na linguagem. Meus dedos sofrem porque, em vez de “vc”, escrevo “você”. Frases completas seguindo as regras com as quais eu convivi a vida inteira, acentuando “pára” e procurando o trema para meter em cima do “tranqüilo”. Tudo pontuado e com maiúsculas e minúsculas. Não consegui nem trocar o “hehe” por “rs”.
Destino: no meu tempo, as coisas duravam, meus jovens – deixe seu celular cair no chão tantas vezes quanto eu deixo o meu e vamos ver qual sai inteiro.

hahaha, lá pelas tantas achei que você fosse dizer que usou a máquina de escrever e mandou o texto via fax… mas daí me lembrei que você usa Mac…
Sim, Tati. Eu parei no tempo, mas foi lá pela virada do milênio hehe
Oi, Alex, comecei a ler o seu blog por um link da Mari do Brincando de Casinha há uns dias atrás e ri muiiiiiiiiiitttttttttoooooooooooo… me identifico com várias passagens… com o celular eu já evoluí um pouco, mas com a história de que tudo quebra na sua mão… na minha também… parece que existe um ímã entre minha mão e o chão… que puxa tudo direto para o piso… Hehehe… Parabéns!
Este ímã se chama gravidade, Priscila hehe Mas ele realmente funciona diferente de pessoa para pessoa
Sério, derrubar coisas é tão rotineiro para mim que evito segurar bebês de amigos
Nossa, Aki! Quantos anos vc tem? rsrs
O suficiente
Cara, meu celular (que Deus o tenha) que foi roubado há umas 2 semanas atrás era tipo primo irmão do seu.
Saudades
Ainda tem quem rouba esses celulares? Até dentro das penitenciárias eles devem estar fora de moda
Me identifiquei direto. A última vez que precisei trocar o celular (depois de cair umas cem vezes) custei a convencer a mocinha que eu queria que ele apenas completasse uma ligação.
abs
Jussara
Ah, eu te entendo, Jussara. A atendente também tentou me mostrar em vão maravilhas futuristas, mas a deixei triste com uma comissão menor
Oi Alex. Conheci seu blog há pouco tempo e adorei. Já li vários de seus posts. Já me identifiquei com muitas das suas histórias, deve ser por já ter passado dos trinta. Nem uso muito o MSN justamente por não conseguir usar abreviações, as pessoas se cansam de esperar pelas minhas respostas… hahaha. Quanto ao celular não tenho tantas restrições e acho que tenho uma boa saída pra você. Compre um celular de aço. Essa foi a solução que minha cunhada encontrou, já que meu irmão destruía todos os celulares que passavam pela mão dele. O único problema é que esse tipo de celular já possui algumas novidades tecnológicas, como câmera fotográfica e mp3 player. Fica a dica, quem sabe possa ser a solução.
Abraços.
Chamo meu celular de Robocop, Márcia. O velhinho suporta tudo, é Death Proof
Obrigado pela leitura. O Brincando de Casinha é o blog que mais envia gente para o meu. Sou muito grato à Mari pelas leitoras dela hehe
Nossa, nem sei d onde peguei o link do seu blog, mas ri mto com seu post *rs O fato é que aparelhos eletrônicos modernos são programados para dar problemas em um curto período de tempo… meu pai tem um V3 desde que lançou e não troca por nada. Eu só troco de aparelho pq a operadora liga oferecendo um gratuito pq eu falo mto hauhauaha
Bjooo!
Que bozinha sua operadora. Quando ligo para a minha, eles fingem que saíram
oi, passei só pra dizer q estou com saudades dos seus textos.
Obrigado, Ana
Tenho trabalhado mais do que o normal este fim de ano e não tive tempo de produzir um novo post. Mas coloquei uma nova lista de canções para amenizar a falta, ok?
Eu só troquei meu celular LG comprado em 2006 (o segundo mais barato da loja, diga-se) depois de não conseguir mais recarregar a bateria – em 2009. Esses dias ganhei um novo do meu pai, todo moderninho, mas estou com dó de aposentar o meu atual. Isso é apego? hahaha
Olha, Lucie,
Apesar da resistência, adoro ganhar presente. Então eu não rejeitaria o mimo do seu pai. Só teria medo de ficar dependente demais de um celular tão moderno
Eu tenho um Motorola C 139 que só faz e recebe ligações. A bateria já foi pro saco, por isso, acho que vou sair das cavernas e finalmente comprar outro um pouco mais moderno… Ah… só para informar eu sou do tempo do fax e do mimeógrafo (saudades das provas com cheiro de álcool kkk), além das folhas de papel almaço e das enciclopédias Conhecer e Barsa. Não jogo video game e também não consigo viver ‘páginas virtuais’ mesmo tendo os dedos mais finos do que o seu. Acho que é a idade… Meus amigos dizem que não tem paciência de ler meus e-mails justamente porque são inteiros D+++. Mas sou ‘forçada’ a começar a encurtar as palavras um pouco como neste comentário.